quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Meu Primeiro Amor: Conhecidência ou Destino?

Capítulo 33

#PovsLua

E depois de tudo eu ainda tinha que ser forte. Tinha que continuar firme,como uma pedra. Fingindo pra mim mesma que nada havia acontecido. Tentando enganar meu coração de mãe e seguir em frente,sem rumo,sem direção,apenas como uma luz no fim no túnel, uma linha a ser traçada e a esperança de que dias melhores viriam. Nem tentei segurar minhas lágrimas. Era impossível dizer que eu havia sido insensível a ponto de não sentir a dor da perda do meu filho. Arthur me olhava,e contava tudo com cautela como se a escolha das melhores palavras fosse diminuir todo aquele sofrimento. Sofrimento esse que ele também derramava pelos olhos. Senti seus braços me acolherem,e ali eu fiquei. No meu único e maior porto seguro até então. Ele me entendia. E era o único que neste momento podia me pedir calma,afinal,ele sentia a mesma dor que eu. 

―Você tem que me prometer,que embora a dor seja grande,você vai ficar firme. Ainda tem uma criança aí dentro que depende inteiramente de você pra continuar vivendo,ou não. E nesse momento,só no que você tem que pensar,é na vida dela. Vai ficar tudo bem,eu te juro pela minha própria vida. Vai ficar tudo bem.

#PovsArthur

A semana passou passou e eu nem percebi. Lua está,digamos,se recuperando aos poucos do choque. Fiquei com ela no hospital todos os dias,sem sair pra nada. Ela foi submetida a um batalhão de exames,e todo dia tomava remédios que a fazia amolecer. Finalmente o médico deu uma alta provisória pra ela poder descansar um pouco,mas dentro de algumas horas teria que voltar ao hospital pra mais alguns exames e assim sucessivamente até o nascimento do bebê. Voltamos pra casa naquele mesmo dia,ainda com um certo receio devido a todos os acontecimentos. Enfim,é a vida néh? Cheia de erros e acertos. Bons e maus momentos. Mas acima de tudo,boa pra ser vivida com toda a intensidade que o Criador nos permitir.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Então é LuArDay...


“É,o ano começou. Ano novo,vida nova. Será mesmo que nós queremos isso? Será que queremos uma vida totalmente nova? Infelizmente eu não posso responder essa pergunta por você. Não mais. Mas da minha parte,só quero que saiba que o que eu mais queria nesse momento é resgatar o passado daquele saco preto e fazê-lo reviver. Queria lá no fundo do meu coração. Porque por fora dele,eu só queria me casar e ser feliz de verdade com o outro homem que eu escolhi. Ele é bom,e me faz um bem danado inclusive. Mas não o bastante pra eu te esquecer,e apagar todos aqueles meses que vivi ao seu lado. Não adianta tentar enganar o coração. Pelo menos é o que dizem. Na verdade,eu nem acredito muito nisso. Meu coração está aqui,muito bem enganado. Achando que realmente conseguiu se recompor. Pensando que a partir de agora eu estou a caminho do eterno. No meu caso,enganá-lo é o melhor a se fazer. Fingir pra ele que está tudo bem,embora tudo continue desmoronando em ruídos que mais se parecem com um chamado pelo seu nome. Metade da minha memória é ocupada por você,e a outra metade,pelo “nós” que um dia existiu. E talvez agora,o meu único e maior medo,é não ter a oportunidade de te dizer tudo isso,simplesmente porque eu ainda não percebi.”

Meu Primeiro Amor: Conhecidência ou Destino?

Capítulo 32

#PovsArthur

A dúvida me corroía. Eu queria abrir o jogo pra Lua,mas tinha medo dela perder o segundo bebê e não conseguir reagir. Expliquei tudo pra minha mãe e pra minha tia que esperavam do lado de fora e elas me aconselharam a abrir o jogo inclusive com a parte da fragilidade do segundo bebê. Assim ela se esforçaria pra ficar bem logo. Então pronto! Resolvi contar. Me dirigi então,antes de todos,ao corredor que levava ao quarto que o médico havia me indicado,passando antes em um pequeno lavabo que havia ali para lavar o rosto e tentar recobrir a calma por completo. Depois de me olhar rapidamente no espelho moderno do hospital,segui em direção a porta do quarto de Lua. Segurei a maçaneta por alguns segundos antes de girá-la de vez em adentrar o pequeno espaço bem arejado,onde havia apenas a maca onde Lua estava deitada ainda desacordada com a pele pálida e os lábios entreabertos,um sofá-cama onde provavelmente eu passaria as minhas próximas noites,uma televisão não muito pequena,um banheiro até que espaçoso,uma janela com uma vista impecável de uma das poucas partes naturais que ainda haviam na cidade,uma mesa de centro e alguns objetos que deixava o lugar com a aparência bem parecida com a de um quarto de hotel cinco estrelas. Me sentei na cadeira de metal que havia ao lado da maca,e peguei a mão de Lua com cuidado pra não atrapalhar o funcionamento de nenhum dos inúmeros fios que tomavam conta dos braços e da barriga dela. Deixei mais algumas lágrimas escaparem e levantei sua blusa,buscando um espaço que fosse o suficiente para eu acariciá-la sem encostar nos aparelhos. Ali depositei um beijo carinhoso e depois voltei a me sentar,só então sentindo a exaustão que todo aquele desespero me trouxera. Fiquei observando Lua e reparando nela,traços que eu não imaginava que existia ali. Até que percebi que ela apertou minha mão,e abriu os olhos logo em seguida. Minha menina havia acordado,e a partir de agora,dependia de mim pra ficar bem logo e deixar aquele lugar que carregava um peso no nome. 

―Que bom que você acordou meu amor.
―O que aconteceu comigo Arthur? Como meu bebê tá? Abre o jogo comigo,por favor,fala a verdade pra mim. Meu filho tá bem?
―Ei,ei ei. Calma ok? Antes de te explicar claramente o que aconteceu,quero que você saiba que sofrer agora pode causar uma dor muito maior depois. E esse depois pode ser breve. Não quero,de forma alguma, ver você mal viu? Quero apenas que você entenda que nada disso que aconteceu é culpa sua,e que eu to contigo nessa. 
―Eu perdi meu filho? É isso que você tá querendo dizer Arthur?
―Não meu amor,não é isso. NOSSO filho está bem. 
―Mas?
―Você carregava aqui dentro (Toquei a barriga dela com delicadeza),duas crianças. E uma delas, o Papai do Céu resolver levar pra fazer companhia pra ele. Uma delas infelizmente se foi, mais isso não quer dizer que agora você vai ficar abalada,porque isso nem pode acontecer. Essa segunda criança que você ainda carrega meu amor, precisa de você pra sobreviver. E bem acima de tudo. 

#PovsArthur

Não consegui terminar de falar. Ao ver Lua com os olhos marejados,e os lábios trêmulos,meu coração doía. No olhar dela,que sempre foi tão iluminado,eu percebia uma escuridão sem tamanho. E eu a entendia, porque sentia exatamente a mesma coisa. Por mais que nós não convivíamos com essa criança a muito tempo,e sequer sabíamos da sua existência,era um pedacinho de nós que havia ali. E saber disso foi como se tivessem arrancado um pedaço significante do "nós" que construímos ao longo do tempo. Não adianta eu dizer pra ela que vai ficar tudo bem, porque nem eu sei mais se realmente algum dia nós vamos reparar a dor dessa perda. Esse amor incondicional,só quem sente entende. E eu a entendia, até mais do que imaginava que seria capaz de entender,algum dia.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Meu Primeiro Amor: Conhecidência ou Destino?

Capítulo 31

#PovsArthur

Cheguei na sala com Lua e a ajudei a deitar na maca. Ela urrava de dor,o que me desesperava cada vez mais. Tirei a roupa dela com calma e a ajudei a vestir a roupa do hospital. As poças de sangue no chão me desesperavam e eu sentia um medo desumano. A equipe médica adentrou o quarto em questão de curtos minutos e eu tive de sair da sala. Acompanhei pelo vidro eles aplicando algo na veia de Lua,que chorava amedrontada. Segundos depois ela já estava também com as pernas encima de um apoio e com soro em um dos braços,enquanto no outro,enfeiras aplicavam injeções e mediam a pressão constantemente. Lua dormiu rapidamente,e a cortina do vidro onde eu estava foi fechada. Continuei ali,sentado ao lado da porta,derramando algumas lágrimas e rezando,com toda minha fé,para que minha menina e meu anjinho ficassem bem. De alguns minutos,que pareciam eternos,avistei minha mãe acompanhada de Tia Claúdia, vindo em minha direção. Me levantei e as abracei,sem ao menos explicar o que fazia chorando jogado no chão. 


O que aconteceu meu filho?
―Ah tia,ela começou a sangrar do nada,e até agora não me deram notícias. Eu só vi eles pondo soro nela,aplicando umas injeções e depois que ela dormiu eles fecharam aqui. 
―Ai meu Deus,fica calmo tá? Vai ficar tudo bem. 
―Tenho tanto medo de perder minha garotinha tia. Meu coração dispara só de imaginar.
―Você não vai perder. Tenho fé que não. 
―Filho,mamãe vai atrás de alguma informação tá?
―Não precisa senhora. Desculpa interromper,percebi a aflição do jovem e como tenho notícias achei correto vir informá-los.
―Ai doutor,que bom.Como eles tão?
―Pode me acompanhar até minha sala? Lá eu consigo lhe explicar melhor o ocorrido.
―Tudo bem. Me esperem aqui tá?
―Vai lá filho.


―E então doutor? O que é que aconteceu com a Lua?
―Bom,primeiramente quero lhe informar que ela terá que permanecer aqui por mais alguns dias,e que após esse prazo,eu quero acompanhá-la semanalmente sem deslize.
―Quer dizer que ela não perdeu o bebê? ( Abri um sorriso largo que se desmanchou logo depois com a resposta do médico.)
―Infelizmente,não. Ela perdeu sim o bebê. Na verdade,um deles. A gravidez de Lua era dupla,ela esperava gêmeos. Um dos bebês não aguentou,devido ao útero da sua esposa ser muito frágil. Ele não aguentou o peso de duas crianças e reagiu,não aguentando segurar as duas. O sangramento já foi estancado e só o que temos que fazer agora,além do acompanhamento regrado,é rezar pro útero dela aguentar o peso de pelo menos UMA criança. Porque se ele for frágil demais,ela perde essa segunda também.
―E como ela tá doutor? Já está ciente da perda dessa criança?
―Não senhor. Está decisão é sua e dos familiares. Se vocês preferirem informar a ela apenas que tudo não se passou de um susto,e a criança está bem,fiquem a vontade. Ela não pode esforçar demais o emocional agora,porque isso pode fragilizar todo seu sistema nervosa e prejudicar o desenvolvimento desse segundo feto. Mas essa decisão é de vocês,como dito anteriormente. Ela não precisa saber da existência dessa segunda criança e nem da perda da mesma,mas façam como preferirem.
―Tudo bem,eu posso vê-la?
―Acho melhor o senhor se recuperar primeiro. Está visivelmente abalado e isso não é muito bom. Mas se ainda assim quiser,ela está sendo levada ainda dopada para a primeira sala à direita. Deve acordar dentro de alguns minutos. Se me dá licença, preciso resolver alguns problemas de outros pacientes. Qualquer coisa,essa é minha sala, sabe onde me encontrar. 
―Claro! Eu vou tomar uma água,informar as meninas e vou vê-la também. Obrigada. 
―Sem problemas.

domingo, 6 de janeiro de 2013

Meu Primeiro Amor: Conhecidência ou Destino?

Capítulo 30

O que Lua não sabia era que Arthur já estava todo equipado e um pula pula o esperava na calçada. Era tudo um pedaço da surpresa. E então,ele se jogou pra trás caindo no pula pula impulsionando um banner com a foto dos dois sobrepostos sobre um "eu te amo",para cima. Uma corda fez com ele parasse e assim Arthur escalou toda parede e voltou pra onde Lua estava. Ela chorava,emocionada,e acariciava a barriga.

―É pra sempre meu amor.
―Eu sei que é.

#PovsLua

Jantamos nesse clima romântico e depois ele me levou até um quarto enorme,lindo,todo decorado com rosas vermelhas e panos de seda. Tivemos uma noite de amor maravilhosa,e depois dormimos abraçadinhos.

―Bom dia dorminhoca.
―Bom dia meu amor.
―Vamo se arrumar pra voltar pra casa? Sua mãe não quis deixar a gente almoçar fora. Disse que você tem que comer direito por causa do bebê e não pode se atrasar pro médico.
―Tenho médico outra vez? Fui faz 2 dias.
―A doutora ligou. Pediu pra voltarmos. Ela quer que você faça alguns exames,pra ver se tá tudo certo mesmo. Ela disse que seu útero pode não aguentar segurar um feto,por causa da primeira gestação.
―O que?
― Calma amor. Ela disse que provavelmente nada disso vai acontecer,mas ela quer te acompanhar melhor pra ter certeza.
―Vamo então.
―Tudo bem.

#PovsArthur

Nos arrumamos e saimos. Voltamos pra casa.

―Já?
―A senhora mandou voltarmos neh mae?
―Tem médico filha.
―Eu sei.Que horas é?
―Quatro e meia.
―Tá.
―Vem comer meu amor.
―Já vo.

#PovsLua

Tava me sentindo estranha. Passando um pouco mal. Não queria pôr medo em Arthur,e ao mesmo tempo queria correr pro hospital por medo de perder meu bebê. Subi com calma e fui ao banheiro. Percebi que estava começando a sangrar e gritei Arthur.

―ARTHUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUR.
―Ooooi amoooooooor.
―SOBEEEEEEEE,ANDAAAAAAAA,ME AJUDAAAAAAA.
―Caalma amor,o que foi? (Fala já na porta do banheiro olhando Lua com cara de susto)
―Eu...eu...to sangrando Arthur,nosso filho. Não deixa ele morrer,não deixa.
―Ei ei ei,ele não vai morrer,fica calma. Vem,veste sua roupa com calma que eu vou pegar teus documentos pra gente ir pro hospital.
―Rápido,pelo amor de Deus.
―Tudo bem,só se acalma.

#PovsArthur

Peguei todos os documentos de Lua e avisei minha mãe enquanto ela se vestia. Ela ainda sangrava muito. A peguei no colo e a coloquei no carro. Ela acariciava a barriga e chorava. Eu dirigia o mais rápido possível,acariciando a barriga dela por cima de sua mão tentando acalmá-la. Chegamos no hospital em cerca de 6 minutos. A peguei novamente no colo e adentrei o local. Fui direto ao médico que costumava a atender.

―O que aconteceu?
―Ela começou a sangrar de repente. Salva nosso filho,pelo amor de Deus doutor.
― Entre na primeira sala a direita,a ajude a deitar na maca e passe apenas MUITA calma pra ela.
― Tudo bem. Por favor,não demore doutor. Não demore.
―Já venho.